O
voto consciente
Por
Alexandre Santos
Estamos em meados de setembro de
mais um ano de grande importância para o povo brasileiro. Mais uma vez temos a
oportunidade de fazer história. Primeiro fizemos história elegendo um operário,
e hoje temos a oportunidade de fazer história elegendo uma mulher, seja do
mesmo partido do operário ou não.
O voto é um importante instrumento
de manifestação política do povo. Infelizmente, tem perdido seu sentido e seu
valor histórico. Fruto de lutas que custaram muitas vidas no passado, hoje ele
tem sido usado nas mais variadas barganhas, que vão dos cinqüenta reais no dia
da eleição aos jogos de camisas, churrascos e afins no período que antecede as
eleições.
A pergunta que não quer calar é: o
que fazer para resgatar o voto e sua essência democrática? Responder tal
questão não é fácil. A incredulidade que tem se abatido sobre o nosso povo, em
relação aos políticos e a política feita em nosso país, nos convoca a buscarmos
uma resposta imediata para essa questão. Não acredito que a resposta que buscarei
dar encerre a discussão, mas teremos uma opção a mais num repertório que se
renova a cada eleição.
Gostaria de apontar como principal
erro o habito de nós povo votarmos em nossos candidatos como quem assina um
cheque em branco e não fiscalizar o que é feito com o mandato que damos aos
nossos representantes. A desculpa mais fácil para essa atitude é a falta de
tempo. Olhando a nossa volta vemos uma série de grupos que se organizam para as
mais variadas atividades: religiosas, recreativas, associativas etc.
Esse argumento então acaba com a
desculpa da falta de tempo. Se a fiscalização acontecesse às conquistas que
adviriam dela seriam fundamentais para uma melhor qualidade de vida para todos
nós. O que também resultaria em mais tempo para as nossas outras atividades.
Outro argumento que ouço muito é:
não gosto de política. Política é a arte da escolha. Quando as pessoas dizem
não gostar de política estão abrindo mão de escolher bem quem vai definir os
aspectos mais importantes de sua vida, como a qualidade do ensino que seus
filhos vão ter, ou a necessidade de seu bairro receber saneamento básico, ou a possibilidade
de sua vida ser salva, em meio a uma doença, em um hospital público, ou seja,
quando se abre mão dessa escolha se abre mão de uma vida com o mínimo de
segurança.
Nenhum de nós em sã consciência
optaria por viver uma vida dessa maneira. Isso significa que agora é o tempo de
mudarmos nossa postura. Ficar reclamando em casa e esperando aconteça um
milagre para nos salvar é bobagem. Não temos para onde fugir, a
responsabilidade pela vida que temos é nossa. Mudar isso é uma escolha, logo é
política.
Então posso resumir essa reflexão da
seguinte maneira; gostar de política, se responsabilizar pelos seus atos,
“fazer a coisa certa” é vida. O contrário disso pode não ser a morte, mas olhe
a sua volta, causa problemas que se não são a morte a tornam profundamente
dolorosa e longa.
Depois do que foi dito o que seria
então o voto consciente? Será o voto que vier pleno de responsabilidade
democrática, será aquele que vier acompanhado de cobranças, de vigilância, de
cidadania, de sede de justiça, de valores, de honradez, de povo. Isso sim de
povo. Quando abandonamos o sagrado sentido de povo, que foi constituído
historicamente dos valores citados acima e de muitos outros mais, dos quais
destacaria a força para lutar por seus direitos nos perdemos em nossas
escolhas.
A proposta passa a ser nos
reinventar. Para isso é bom que nós resgatemos o sentido das lutas que nos
fizeram chegar aonde chegamos. Pisamos sobre um chão de conquistas que vão
desde o voto até o passe livre. Olhando para elas me digam como subestimar a
nossa força, como pensar que não somos capazes, como dizer: “a esperança
morreu”, se a verdadeira esperança de um povo é a fagulha de vida que ainda
move seu coração.
Não existe fórmula mágica, existe
trabalho. A batalha que se avizinha conta conosco, espera que saiamos de nossa
apatia e estejamos prontos para lutar mais uma guerra. Será que vamos brandir
nossas espadas e gritar assustando assim nossos inimigos ou será que os rostos
sorridentes das placas, e os carros de som que nos despertam e perturbam nesses
dias que precedem a batalha já plantaram o medo em nossos corações? De que lado
você vai estar? De que lado você quer estar? Lembrem-se de que o que transforma
as nossas vidas são as escolhas que fazemos. Qual a sua escolha?
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