sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Voto Consciente



O voto consciente

Por Alexandre Santos
            Estamos em meados de setembro de mais um ano de grande importância para o povo brasileiro. Mais uma vez temos a oportunidade de fazer história. Primeiro fizemos história elegendo um operário, e hoje temos a oportunidade de fazer história elegendo uma mulher, seja do mesmo partido do operário ou não.
            O voto é um importante instrumento de manifestação política do povo. Infelizmente, tem perdido seu sentido e seu valor histórico. Fruto de lutas que custaram muitas vidas no passado, hoje ele tem sido usado nas mais variadas barganhas, que vão dos cinqüenta reais no dia da eleição aos jogos de camisas, churrascos e afins no período que antecede as eleições.
            A pergunta que não quer calar é: o que fazer para resgatar o voto e sua essência democrática? Responder tal questão não é fácil. A incredulidade que tem se abatido sobre o nosso povo, em relação aos políticos e a política feita em nosso país, nos convoca a buscarmos uma resposta imediata para essa questão. Não acredito que a resposta que buscarei dar encerre a discussão, mas teremos uma opção a mais num repertório que se renova a cada eleição.
            Gostaria de apontar como principal erro o habito de nós povo votarmos em nossos candidatos como quem assina um cheque em branco e não fiscalizar o que é feito com o mandato que damos aos nossos representantes. A desculpa mais fácil para essa atitude é a falta de tempo. Olhando a nossa volta vemos uma série de grupos que se organizam para as mais variadas atividades: religiosas, recreativas, associativas etc.
            Esse argumento então acaba com a desculpa da falta de tempo. Se a fiscalização acontecesse às conquistas que adviriam dela seriam fundamentais para uma melhor qualidade de vida para todos nós. O que também resultaria em mais tempo para as nossas outras atividades.
            Outro argumento que ouço muito é: não gosto de política. Política é a arte da escolha. Quando as pessoas dizem não gostar de política estão abrindo mão de escolher bem quem vai definir os aspectos mais importantes de sua vida, como a qualidade do ensino que seus filhos vão ter, ou a necessidade de seu bairro receber saneamento básico, ou a possibilidade de sua vida ser salva, em meio a uma doença, em um hospital público, ou seja, quando se abre mão dessa escolha se abre mão de uma vida com o mínimo de segurança.
            Nenhum de nós em sã consciência optaria por viver uma vida dessa maneira. Isso significa que agora é o tempo de mudarmos nossa postura. Ficar reclamando em casa e esperando aconteça um milagre para nos salvar é bobagem. Não temos para onde fugir, a responsabilidade pela vida que temos é nossa. Mudar isso é uma escolha, logo é política.
            Então posso resumir essa reflexão da seguinte maneira; gostar de política, se responsabilizar pelos seus atos, “fazer a coisa certa” é vida. O contrário disso pode não ser a morte, mas olhe a sua volta, causa problemas que se não são a morte a tornam profundamente dolorosa e longa.
            Depois do que foi dito o que seria então o voto consciente? Será o voto que vier pleno de responsabilidade democrática, será aquele que vier acompanhado de cobranças, de vigilância, de cidadania, de sede de justiça, de valores, de honradez, de povo. Isso sim de povo. Quando abandonamos o sagrado sentido de povo, que foi constituído historicamente dos valores citados acima e de muitos outros mais, dos quais destacaria a força para lutar por seus direitos nos perdemos em nossas escolhas.
            A proposta passa a ser nos reinventar. Para isso é bom que nós resgatemos o sentido das lutas que nos fizeram chegar aonde chegamos. Pisamos sobre um chão de conquistas que vão desde o voto até o passe livre. Olhando para elas me digam como subestimar a nossa força, como pensar que não somos capazes, como dizer: “a esperança morreu”, se a verdadeira esperança de um povo é a fagulha de vida que ainda move seu coração.
            Não existe fórmula mágica, existe trabalho. A batalha que se avizinha conta conosco, espera que saiamos de nossa apatia e estejamos prontos para lutar mais uma guerra. Será que vamos brandir nossas espadas e gritar assustando assim nossos inimigos ou será que os rostos sorridentes das placas, e os carros de som que nos despertam e perturbam nesses dias que precedem a batalha já plantaram o medo em nossos corações? De que lado você vai estar? De que lado você quer estar? Lembrem-se de que o que transforma as nossas vidas são as escolhas que fazemos. Qual a sua escolha?

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